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Urbanização e disparidade rural-urbana decrescente na República Islâmica do Irã

Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial: Geografia Econômica em Transformação
Available in: Français, Español, English

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As disparidades rurais-urbanas decresceram na República Islâmica do Irã. Em 1976, na véspera da Revolução Islâmica, a renda doméstica per capita média nas áreas rurais era 44% da das áreas urbanas. Em 2005, ela havia aumentado para 63%.

O governo do xá favoreceu as cidades em detrimento do campo. O controle de preços para alimentos essenciais corroeu a renda agrícola. Tarifas elevadas, proibições às importações e licenciamento para bens industriais sustentaram os preços dos produtos manufaturados e corroeram o poder de compra dos agricultores. Uma estratégia de desenvolvimento orientada para a demanda interna final ampliou a migração interna em direção a Teerã e algumas outras cidades grandes. Para cada indicador de desenvolvimento, o centro teve um desempenho muito melhor que o da periferia. Em 1973, a taxa de pobreza era de 23% na região central e 42% no país. Essa desigualdade espacial correspondia ao mapa étnico da República Islâmica do Irã, alimentando tensões.

O que aconteceu desde o compromisso de reduzir as disparidades espaciais assumido em 1979?

  • Em primeiro lugar, a proporção da população urbana aumentou de 49 para 67% entre 1979 e 2005. Isso é a continuação de uma tendência de longo prazo: a população urbana havia crescido 5,4% ao ano (e em Teerã, 6%) entre 1966 e 1976.
  • Em segundo lugar, a disparidade rural-urbana das rendas domésticas foi reduzida. Entre 1976 e 1984, o valor agregado agrícola cresceu 31%, duas vezes a taxa da economia não-petrolífera. Uma razão para esse crescimento foi que os preços agrícolas subiram 55%. Outra razão foi que se gastou mais em projetos para aumentar a produtividade de fazendas de pequeno e médio porte. O crescimento também poderia ser atribuído ao fato de que a produção agrícola na República Islâmica do Irã é dominada pelo setor privado, ao passo que as grandes empresas industriais e prestadores de serviços foram nacionalizados após a revolução, o que prejudicou sua eficiência.
  • Em terceiro lugar, os indicadores de desenvolvimento humano rural e urbano melhoraram, até nas províncias atrasadas. Entre 1976 e 1996, a taxa de alfabetismo feminino subiu de 17 para 62%, enquanto para as mulheres urbanas ela subiu de 56 para 82%. Em 1994–2000, a mortalidade infantil e sub-5 caiu mais rápido nas províncias mais pobres.
  • Enfim, a pobreza global caiu. A taxa nacional de pobreza era de 8,1% em 2005, com diferenças relativamente modestas entre a pobreza rural e urbana de 10 e 7,1%, respectivamente. Porém, a taxa provincial de pobreza ainda varia muito, de 1,4 a 23,3%.

O compromisso político com a igualdade espacial produziu resultados ambíguos durante os últimos 30 anos: um declínio global da pobreza e uma convergência nos padrões de vida rural-urbana, mas diferenças persistentes nos padrões de vida interprovinciais.

Fonte: baseado numa contribuição de Anton Dobronogov, Alexander Kremer e outros.




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